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Joel Vicente De Sousa


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CULPA REAL E IMAGINÁRIA
30/03/2010 às 22:53

O que aconteceu? Como entender o caminho que trilhou? Noites intermináveis dias longos. O meditar e recapitular a vida, lembranças de ocasiões diferentes, algumas são marcantes e inesquecíveis. Fleches de lembranças da infância, o pai havia brigado com sua mãe e saído batendo a porta após si. A mãe chora e xinga sem perceber a presença do filho. Se bem que estas senas não eram tão raras. O filho aproxima da mãe e diz: - mamãe não chore. A mãe abraça o filho e por alguns minutos fica assim juntinho sem palavra nenhuma pronunciar. O silencio é quebrado quando a mãe o solta e diz: - vai brincar. Michel saiu para brincar e como de costume leva seu amigo imaginário, juntos comentam sobre o acontecido. Michel diz ao seu amigo imaginário: - às vezes gostaria que meu pai não voltasse mais para casa, que acontecesse alguma coisa com ele prá lá. Antonio pai de Michel após o desentendimento foi até um bar e ali encontra vários amigos, começa a beber e jogar distraído não percebe que o dia passou, após despedir dos amigos volta para casa, no percurso já embriagado perde o controle de seu carro e vem colidir com um poste. Ainda naquela noite a família é informada do acidente. Isabel sua esposa chega ao hospital e constata que seu esposo havia falecido no acidente. O desespero toma conta, dor e remorso. Quando Michel fica sabendo do acidente e que seu pai faleceu, ficou desesperado, angustiado pelo ocorrido, o lembrara que havia desejado que seu pai não voltasse para casa. O remorso fora tamanho que resistia ver seu pai durante o velório. Um tio o convenceu. Os dias foram passando, Michel rompe com seu amigo imaginário, aproxima mais de sua mãe. No fim da adolescência, inicio da faculdade, começou sofrer de depressão, dizia ele: - Uma angustia aperta meu peito, o choro não vem, gemido nenhum sai de minha garganta, nenhuma lagrima brota de meus olhos, porem a dor é inexprimível. Após a faculdade de administração, Michel começou a trabalhar com vendas, viajara por todo o Brasil, o sistema de venda era feito por equipe formada de dois em dois. Era comum os parceiros não só trabalharem juntos, mas tomavam suas refeições juntos, saiam depois do expediente juntos, e dormirem no mesmo quarto. Porém Michel nunca compartilhou com José seu parceiro de venda seu problema com a depressão. À medida que Michel viajava, a depressão foi aumentando, tornando cada dia menos suportável. Michel começou padecer de complexo de culpa, culpa imaginária. Não compreendia a causa de tamanha tristeza, não entendia de onde vinha a culpa, nem sabia em que era culpado. Desesperado compra uma arma e começa carregar consigo. Numa noite como outra qualquer, estava Michel em um quarto de hotel, seu parceiro de vendas dormia tranquilamente, a crise de depressão começou e na esperança de se livrar desta culpa imaginária, toma sua arma e atira várias vezes em seu colega de quarto, que falece sem nenhuma chance de defesa. Preso em fragrante Michel é levado a julgamento, o advogado de defesa alega que Michel matou em momento de delírio e não havia intenção nenhuma de matar seu parceiro de vendas e de quarto. O juiz aceita o argumento da defesa e absorve o criminoso. No espaço que decorrera entre o crime, a prisão e o julgamento o preso Michel experimentou uma doce sensação de prazer, porque havia culpa real e ele sabia de onde vinha esta culpa. Ao ouvir a sentença do juiz e tomar consciência de que estava perdoado pelo crime cometido, caiu terrível terror, a sensação de culpa imaginaria lhe sobreveio. Ele avança no guarda do tribunal toma a arma e dispara contra o juiz que a pouco havia anunciado sua sentença de absolvição. E todos viram em seu semblante estampada a felicidade de novamente tomar posse de uma culpa real que neste caso era menos dolorida do que a culpa imaginária.

PSICANALISTA.JOEL@HOTMAIL.COM 



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