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Joel Vicente De Sousa


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LAVADEIRA
19/04/2010 às 23:20

Repetidas são as batidas do tecido sobre a pedra. Ouve-se ao longe o som. Do impactante atrito. Os olhos que quase vê só o que move. Permitem imagens passarem despercebidas. O vento suave arrasta a umidade. O calor do sol brônzea a morena. A água corre em seu leito. Cenário de uma natureza virgem. Se não fosse pela presença doméstica. Desasalariada trabalhadeira. Marcado dias da semana. Para atos repetidos. O encontro do tecido água e pedra. Oficio de um membro da família. Em primeiro olhar uma mendiga mal trapida. Corpo coberto por rústico tecido. Bege, amarelo ou marrom claro desbotado. Pelo tempo de uso ou baixa qualidade. De pouco elegância um lenço sobre a cabeça. Cabelos negros como a escura noite, caídos sobre um dos ombros. Olhos como a madura jabuticaba. Sem maquiagem porem perfeito lábios. Com as coxas seminuas e pés descalço. Sentada sobre a pedra com os pés dentro d’água. Ora ensaboando e esfregando. Ora batendo sobre a pedra o tecido. Como melodia de anjos. Sua voz entoa uma canção. Envolvente beleza revelada. Confunde os que atrevam a uma segunda olhada. Cinderela a espera de um príncipe. Que veja mais do que beleza coberta.

psicanalista.joel@hotmail.com



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vanessa
28/04/2010 as 09:14

Bom pra vc conseguir ver as coisas boas da vida. Nesses casos geralmente só vejo as ruins.